Esta apresentação reúne diversas imagens de mandalas obtidas através de manipulação fotográfica. A natureza, a força vital criativa, é, em muitos sentidos, a mandala suprema. As mandalas da natureza podem ser vistas para onde quer que olhemos. O formato em caracol de uma concha, as pétalas sobrepostas de uma rosa, os anéis de crescimento de um tronco de árvore - todos esses detalhes da natureza, e muitos outros, são portais para um reino que transcede o mundano. Unir duas formas de arte, fotografia e mandalas, integrar elementos da natureza registrados pela fotografia com a simetria misteriosa das mandalas é torná-las ainda mais sagradas. Uma mandala é sempre um desenho sagrado, no interior do qual forças poderosas estão em movimento. As energias contidas numa mandala são regeneradoras, equilibradas e ativadoras.
O mandala é um símbolo universal usado por praticamente todas as civilizações através da história. É um poderoso elemento em psicoterapia que facilita a pessoa se centrar com seu próprio poder, e o poder do cosmos. Quando uma pessoa aprende a desenhar o seu próprio mandala, ele funciona como uma fotografia do seu inconsciente, mostrando o passado, o presente e o futuro potencial. O mandala facilita à pessoa se abrir para a sua própria criatividade, e facilita o crescimento psicológico e espiritual.
Mandala é a palavra sânscrita que significa círculo, uma representação geométrica da dinâmica relação entre o homem e o cosmo. De fato, toda mandala é a exposição plástica e visual do retorno à unidade pela delimitação de um espaço sagrado e atualização de um tempo divino.
Em termos de artes plásticas, a mandala apresenta sempre grande profusão de cores e representa um objeto ou figura que ajuda na concentração para se atingir outros níveis de contemplação. Há toda uma simbologia envolvida e uma grande variedade de desenhos de acordo com a origem.
A mandala representa para o homem o seu abrigo interior onde se permite um reencontro com Deus.
A Mandala - História e significado
Traduzindo do Sânscrito, significa: मंड "essência" + ल "ter" ou "conter".
Também pode ser traduzida como círculo ou circunferência, totalidade, plenitude, derivando do termo tibetano "dkyil khor".
Mandala deriva do sentido da linguagem hindu "círculo concêntrico de energia". Um círculo representa a proteção, boa sorte, ou da conclusão. As mandalas tem ligação com o movimento em espiral da consciência geometria sagrada, da psicologia e da cura. Este termo de origem hindu tem sido utilizado em diversas interpretações e religiões.
Mandalas em Diferentes Culturas
O projeto básico da mandala é encontrada na maioria das culturas.
Tanto a dissociação entre o intelecto e a psique como a cisão do átomo que levou à bomba atômica demonstram uma mesma realidade: a infeliz perda da unidade do ser humano com a sua natureza original. E o caráter fragmentário de nossas vidas é bem uma expressão desse desequilíbrio, cujas consequências não cessam de aparecer pelo mundo - o qual todos sabemos que se mantém íntegro graças ao equilíbrio de forças entre as potências.
A importância da antiga harmonia. pode ser entendida a partir de certas práticas que nos foram legadas pelo Oriente, como é o caso da mandala. Em sânscrito, o termo mandala significa "círculo", figura esta que se encontra nas culturas mais diversas como um elemento que sintetiza a totalização da vida, Assim, vamos encontrar o símbolo do círculo no Sol, na roda, na serpente mordendo a sua cauda (ouroboros), nas rosáceas das catedrais e nas auréolas dos santos etc.
Na índia e no Tibete, onde alcançaram um alto grau de artística, as mandalas associam-se à ritos mágicos, a plantas de templos ou a instrumentos de auxílio à meditação. Pintadas sobre tecido, madeira, papel ou numa superfície plana, elas constituem obras de rara beleza e complexidade acredita-se até mesmo que estabelecem uma ligação com o plano astral. Entretanto, só poderemos penetrar neste Universo de forças interiores e exteriores conhecendo o sentido e o poder dos símbolos.
Como um cosmograma, a mandala representa o cosmo em processo de emanação e reabsorção, de ação e reintegração no qual adepto entra em contato com as forças cósmicas e absorve a sua potência - Os índios navajos, por exemplo, usam mandalas para curar ou devolver a harmonia a uma pessoa doente: após o xamã ter realizado sua pintura na areia (uma mandala), o paciente anda ao redor do desenho e, por fim, ocupa um lugar no seu interior.
Culturas Ocidentais
No Ocidente, a mandala também é usado para se referir ao "mundo pessoal" em que se vive, os vários elementos da mandala sendo as atividades e interesses em que se envolve, o mais importante estar no centro da mandala, e os menos importante na periferia. Representando uma mandala pessoal na forma pictórica pode dar uma boa indicação do estado da nossa vida espiritual.
Hinduísmo
Presente no "Rigved", um dos quatro textos sagrados do hinduísmo conhecidos como "Vedas". Escrito aproximadamente em 1500 a 1000 anos AC, e ainda em uso, divide-se em dez livros, conhecidos como Mandalas. Enquanto figura é profusamente utilizada na decoração de templos.
Budismo
No ramo tibetano do budismo "Vajravana" as Mandalas apresentam-se na forma de pinturas de areia, tendo grande significado espiritual nos elementos decorativos utilizados e disposição dos elementos. Em qualquer vertente desta religião a Mandala é um símbolo espiritual e sagrado de busca de plenitude e auxiliar à meditação e harmonia.
A mandala no budismo tântrico geralmente mostra uma paisagem da terra de Buda ou a visão iluminada de um Buda. As mandalas são usadas pelos budistas tântricos como auxílio à meditação. Este padrão é cuidadosamente criado no chão do templo por vários monges que usam pequenos tubos para criar um fluxo pequeno de grãos. Os vários aspectos da concepção tradicional fixos representam simbolicamente os objetos de adoração e contemplação da cosmologia budista tibetana.
Para simbolizar a impermanência (um ensinamento central do budismo), depois de dias ou semanas depois da criação do padrão intrincado, a areia é bem escovado e é normalmente colocada em um corpo de água corrente para espalhar as bênçãos do Mandala.
A visualização ea concretização do conceito de mandala é uma das mais importantes contribuições do budismo à psicologia religiosa. Mandalas são vistos como lugares sagrados que, pela sua própria presença no mundo, lembra um observador da imanência da santidade do universo e seu potencial em si mesmo. No contexto do caminho budista, a propósito de uma mandala é colocar um fim ao sofrimento humano, para alcançar a iluminação e para alcançar uma visão correta da realidade. É um meio de descobrir a divindade pela consciência que reside dentro de si próprio.
A mandala é normalmente uma representação simbólica que descreve as qualidades da mente iluminada em relação harmoniosa com o outro. A mandala pode também ser usado para representar o caminho do desenvolvimento espiritual. Em outro nível, uma mandala pode ser uma representação simbólica do universo, como em uma das quatro práticas de fundação do Vajrayana, no qual uma mandala representando o universo é oferecido ao Buda.
Um tipo importante é a mandala do "Cinco Buddhas", formas arquetípicas Buda contém vários aspectos da iluminação, o Buda descrito, dependendo da escola de budismo e até mesmo o fim específico de mandala. A mandala comum deste tipo é que, dos cinco Buddhas Sabedoria (aka Cinco Jinas), o Vairocana Buddhas, Aksobhya, Ratnasambhava, Amitabha e Amoghasiddhi. Quando emparelhado com outro mandala representando os cinco reis Sabedoria, esta constitui a Mandala dos dois reinos.
A mandala no Budismo de Nitiren Daishonin é chamada de mandala moji - e é um rolo de papel pendurado ou tabuleta de madeira, cuja inscrição consiste em caracteres chineses e script medieval sânscrito que representam elementos da iluminação de Buda, de protecção divindades budistas, e certos conceitos budistas.
Celtic Patterns
Knot desenhos são comumente vistos na arte celta tradicional. Como a mandala, desenhos no Celtic são, por definição ricos em simetrias. Nós normalmente são apresentados como um único cabo tecida dentro e fora de si para formar um desenho simétrico.
Nativos Americanos
Para os nativos americanos a mandala simboliza o escudo de boa sorte. Com este escudo acredita-se que os deuses protegê-los. Por ter um em sua casa, que lhes traria prosperidade, boa saúde, e felicidade. Para algumas tribos, um Mandella foi considerado um escudo. Foi uma possessão dos índios das planícies com cada região que tenha um significado específico.
Mandalas são, por vezes, uma variação da dança escudo usado pelos índios das planícies, influenciado por pastores do Ocidente. Foi pensado para trazer seu dono boa sorte, prosperidade, riqueza e felicidade.
Mandalas eram originalmente feitos de couros Buffalo, penas de águia, e peles de animais silvestres. Atualmente, todos os materiais naturais são usados, que vêm apenas como subprodutos de animais domesticados.
Judaísmo
A estrela de David é uma Mandala.
Cristianismo
É um elemento arquitectónico e decorativo que se pode encontrar em diversos templos, assumindo o termo de “rosácea” na cultura européia.
Geometria Sagrada
A Mandala é a representação icónica dos princípios base da geometria sagrada, tese segundo a qual a geometria é a forma ordenada da criação. Todas as grandes civilizações antigas utilizavam a geometria na edificação de templos e manifestações de crenças. A título de exemplo, a estrutura das cidades incas foi concebida a partir do quadrado e circulo como elementos de disposição.
O psicanalista Carl Jung viu a mandala como "uma representação do self inconsciente", e acreditava que sua pintura de mandalas lhe permitiu identificar distúrbios emocionais e trabalhar no sentido de inteireza da personalidade.
A mandala como um fenômeno psicológico aparecem espontaneamente em sonhos, em certos estados de conflito e, em casos de esquizofrenia. A dinâmica discreta de reações físico-químicas é uma nova teoria baseada na analogia entre o p-Teorema da teoria da dimensionalidade, o princípio da máxima entropia e da estequiometria de reações químicas complexas. A aplicação desta teoria para o comportamento espaço-temporal de reações bioquímicas complexas revelou padrões simétricos similar ao mandalas apresentado pelo CG Jung, em seu livro "Simbolismo da Mandala". Essa teoria também tem sido demonstrado possuir a capacidade de gerar oscilações complexas, que podem ser utilizados para a modelagem matemática de EEG e ECG e da dinâmica de sistemas vivos em geral.
De acordo com os resultados obtidos, quando o cérebro humano está gerando mandalas, pode ser considerado como um reator que cria imagens diferentes que refletem o seu estado interno (ou a distribuição de produtos químicos e suas interações bioquímicas) e todos estes processos com base na as leis da natureza.
O uso do direito de funcionamento do cérebro/esquerda também vai ao passeio pelo labirinto. É tudo uma questão de equilíbrio criação e ativação da consciência a formas superiores de pensamento.
Na prática, o termo"‘Mandala" se tornou um termo genérico para qualquer plano, carta, ou padrão geométrico que representa o cosmos metafísico ou simbolicamente, um microcosmo do universo a partir da perspectiva humana. A mandala, especialmente seu centro, pode ser usado durante a meditação como um objeto para chamar a atenção. As formas geométricas simétricas mandalas que tendem a ter, chamar a atenção dos olhos para seu centro.
Na cosmologia hindu da superfície da Terra é representado como um quadrado, o mais fundamental de todas as formas Hindu. A Terra é representado por quatro encurralado com referência à relação do horizonte com o nascer eo pôr do sol, o norte ea direção sul.
A Terra é assim chamado"Caturbhrsti" (quatro pontas) e é representado sob a forma simbólica da Mandala Prithvi. Os mapas astrológicos ou horóscopos (Rasi, Navamsa, etc) também representam um plano da eclíptica praça – as posições do sol, da lua, planetas e constelações do zodíaco, com referência ao lugar do nativo e hora do nascimento. O Vaastu Purusha Mandala é o plano metafísico de um edifício, templo ou local que integra o curso dos corpos celestes e forças sobrenaturais.
Carl G. Jung observou que os esquizofrênicos dispunham figuras em círculos concêntricos num impulso instintivo para reorganizar a sua imaginação. E os psicólogos modernos entenderam que a mandala também é um plano ou uma da psique do homem num plano de fundo cósmico, de modo a revelar a estrutura profunda do espírito humano. Consequentemente, a unidade da consciência e a descoberta do princípio ideal das coisas podem vir à tona no refluxo das experiências da psique, ativado pelo exercício da concentração.
Meditar contemplando uma mandala é também defrontar-se com imagens aterradoras: demônios, morte e decomposição. Um texto hindu explica que "são as imagens produzidas pelo teu próprio espírito", já que o homem traz em si a eterna dualidade da luz e da treva, da consciência e da paixão, do bem e do mal.
Mas de que forma a mandala favorece a meditação? A resposta está no cerne da sua rica simbologia, originada das intuições dos seus adeptos. Uma vez projetadas no mundo exterior, essas intuições pessoais servem de suporte para a concentração que faz nascer a consciência da realidade oculta, absoluta, integral e luminosa.
A mandala incorpora o processo de desintegração da unidade na multiplicidade, e da reintegração da multiplicidade na unidade, razão pela qual contém os sistemas simbólicos de todos os níveis. Ela é uma representação finita de um processo infinito, mas nada impede que se trabalhe a sua representação de modo infinito, pois o seu manancial é inesgotável. Não poderia existir um método mais perfeito de abordagem da totalidade.
A mandala geralmente é constituída de um círculo externo com um ou mais círculos concêntricos, que cercam o chamado "palácio", a morada das imagens das divindades ou dos seus emblemas. No centro, encontra-se o desenho de um quadrado dividido por linhas transversais, de modo a distinguir-se quatro triângulos; nestes é que estão situados os círculos com as referidas imagens. Cada muro desse palácio real, por assim dizer, traz uma passagem em forma de "T" que se abre para um ponto cardeal; elas representam as portas que conduzem para tudo que é alheio à nossa consciência, o inconsciente indomado. Nessas portas, é comum a presença de guardiões cujo aspecto é monstruoso, terrifico. Na periferia da mandala também costumam aparecer seres demoníacos. Sua função é proteger a sacralidade local e afastar de nós mesmos as forças interiores que interferem em nosso trajeto para a luz; é a batalha incansável do consciente para subjugar o inimigo que habita as trevas do inconsciente.
As pétalas do Lótus aberto significam a entrada na via da palingenesia (o eterno retorno), e o lótus não desabrochado, no centro, expressa a síntese primordial. Realmente, o ser humano convive com duas tendências contraditórias, urna centrífuga e outra centrípeta, as quais o impelem ora a sair de si mesmo, ora a buscar a plenitude.
Eis aí uma breve incursão na estrutura da mandala. Mas a verdade conforme assinala o pensamento budista, não conhece um só caminho para chegar aos homens. E nem a mandala se limita a único aspecto. No hinduísmo. por exemplo, existem os chamado iantras, baseados no mesmo princípio da mandala, que fazem parte dos rituais nos templos hindus
0 iantra é um diagrama linear composto de combinações de triângulos isósceles, circundados por pétalas da flor de lótus, tudo inserido num quadrado com quatro portas de cada lado, tal como a Mandala. O cruzamento dos triângulos simboliza a união dos opostos, a junção do mundo pessoal e do ego com o mundo impessoal e intemporal do não-ego; o com a ponta voltada para baixo indica a desintegração e o triângulo com posição inversa assinala a reintegração. É a união dos deuses Shiva e Shakti . Às vezes, o centro do iantra apresenta um ponto denominado bindu, a gota primordial.
Jung ouviu certa vez de um monge tibetano a explicação de que as mandalas mais impressionantes do Tibete são criadas pela imaginação, ou pela fantasia dirigida, nascente da busca do equilíbrio psicológico do grupo, ou ainda da expressão de um pensamento que não faz parte da sagrada doutrina. Isso levou o psicólogo a distinguir dois aspectos essenciais ao simbolismo da mandala: um conservador e outro criador. 0 primeiro diz respeito ao restabelecimento de uma antiga ordem, enquanto o segundo se encarrega de dar forma e expressão ao que nunca existiu.
Devido ao raciocínio eminentemente verbal e linear do homem moderno, é compreensível a sua dificuldade para captar o pensamento circular inerente a mandala. Mesmo porque a contemplação não faz parte de suas conquistas - ela sempre foi um dom natural. Então, como recuperar este símbolo dos símbolos em beneficio desse homem dividido e em desarmonia, ainda mais que o ocidental nunca cultivou o hábito da contemplação? A resposta está na mandala tridimensional que foi resgatada de um passado longínquo, tempo em que o ser humano sentia o perfeito equilíbrio do cosmo em sua vida.
Mandala Tridimensional
A mandala tridimensional, segundo umas poucas referências, já era confeccionada aproximadamente há 3.000 anos entre as comunidades tibetanas. Isso ocorria toda vez que os líderes espirituais daquelas comunidades se reuniam para decidir sobre as transformações que julgavam necessárias. E o povo, ao tomar conhecimento das mudanças, iniciava uma grande festa comemorativa; enquanto as mulheres preparavam as comidas, os homens, orientados por esses senhores espirituais, construíam mandalas tridimensionais como uma forma de celebrar as transformações. Além disso, mandalas desse tipo serviam como instrumento de oração na índia, cumprindo uma função semelhante à do nosso tradicional rosário.
Comparada a mandala plana, a tridimensional. possui um caráter lúdico que, para o ocidental, facilita o contato. Ao manipulá-la, ao explorarmos as suas possibilidades, sentimos um relaxamento que nos induz à concentração, pois as mãos estão diretamente ligadas ao sistema nervoso central. Suas figuras concêntricas atraem a nossa atenção para o objeto, ao mesmo tempo em que nos coloca em contato com o círculo, este símbolo da psique, do processo bem - acabado e perfeito. Ela nos possibilita trabalhar a motricidade, o que multiplica o poder integrador da mandala. Mas não é sempre que atuamos nela; outras vezes somos pacientes, e o símbolo age em nós independentemente da nossa vontade, organizando-nos internamente.
Outro lado que confirma esse poder integrador é o fator 9 contido na estrutura dessa "mandala de mão", que subentende a sabedoria esotérica do retorno à unidade: ela é composta de dois níveis de 9 esferas, que somadas resultam no numero 18 (1 + 8 = 9). No sentido horizontal, cada um desses níveis ainda tem unia esfera maior. A numerologia vê o 8 como o símbolo da unidade das partes no todo, representação do eterno movimento em espiral dos céus, do equilíbrio dinâmico das forças masculina (yang) e feminina (yin). 0 9, então, é a transcendência do 8, a unidade sobre a unidade, e, por encerrar a serie numérica, leva ao 1 - daí o seu poder de síntese, a base do conhecimento mandálico.
A manipulação da mandala suscita a formação de imagens que levam ao inconsciente. E não demorará muito tempo para os psicólogos descobrirem o seu valor como instrumento terapêutico, extrapolando o signo e até facilitando o contato, a própria relação terapêutica. Quando o cliente tem bloqueios na hora de transmitir as imagens de seus sonhos, por exemplo, a mandala pode auxilia-lo a rever essas imagens e assim dar-lhes um significado claro.
Na tradição gnóstica do Oriente, o corpo humano é a casa de todos os deuses, é uma síntese do universo que o abriga: por isso também está em relação com a Mandala. Os centros energéticos (chackras) que circulam a energia vital em nosso corpo possuem uma função reintegradora comparável à desse símbolo. Acontece que perdemos a consciência de que somos um microcosmo e nos distanciamos de nossa unidade primordial com o absoluto. Lembrando aquelas primeiras comunidades que existiam em harmonia com o macrocosmo e construíam mandalas para festejar suas transformações, resta-nos um alerta às nossas sociedades tão cegamente multifacetadas, nas quais o homem sobrevive com um estranho sentimento de ausência em sua vida.
E nesta busca do nosso centro em meio ao caos, da nossa harmonia interior, ressurge a mandala – síntese de todos os caminhos, ponte rumo à totalidade.
Mandalas e Símbolos
Ao analisar algumas mandalas artesanais, é possível verificar a presença de muitos símbolos conhecidos e que juntos criam uma vibração própria, mas que, individualmente estão inseridos em uma simboligia universal.
A seguir, a simbolgia esotérica de algumas formas muito utilizadas:
Círculo
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Arquétipo da totalidade e da eternidade. Representa a perfeição divina e perpetuidade de Deus. O círculo ou disco é emblema de tipo solar. Junto à roda e à esfera, simboliza também o dinamismo psíquico, o mundo manifestado, a unidade interna da matéria, tudo que é preciso e regular; a harmonia universal. Simples: o infinito, o universo, a totalidade; com ponto no cento: a primeira manifestação do princípio criativo divino; dividido (por uma reta horizontal): a primeira divisão do Princípio Divino em duas polaridades opostas e complementares (masculina e feminina); com cruz no interior: o momento da criação, quando o princípio masculino impregna o feminino; com triângulo no interior: o princípio espiritual ou ternário dentro da totalidade; com quadrado no interior: o princípio material ou quaternário dentro da totalidade. |
Coração
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Um dos mais importantes e universais símbolos esotéricos. Verdadeira sede da inteligência, já que a ele corresponde o cálido e luminoso Sol (ao cérebro corresponde a luz fria e refletida da Lua). Por outro lado, a importância do amor, na mística, reside no fato de que ele se expressa por meio do coração. Amar é acionar a força de um centro (o coração), o qual estimula e impulsiona os outros centros. Dessa forma, o coração é o símbolo magno do amor, iluminação espiritual e felicidade. |
Cruz
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Em todas as culturas, seu significado arquetípico é o da união dos opostos: o eixo vertical (masculino) e o eixo horizontal (feminino). No cristianismo, é o emblema máximo. Para a teosofia, traz a idéia do homem regenerado, aquele que conseguiu integrar harmoniosamente suas duas partes e que, "crucificado" como mortal, renasce como imortal. Na simbologia rosa-cruz, evoca os quaro reinos da natureza. Como símbolo da "Árvore da Vida", representa o "eixo do mundo": a ponte ou escada através da qual a alma pode chegar a Deus. |
Espiral
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Um dos mais importantes símbolos universais, a espiral representa o arquétipo do cosmos, e simboliza o processo evolutivo do universo. No sistema hieroglífico egípcio, a espiral denota as formas cósmicas em movimento, ou a relação entre a unidade e a multiplicidade, entre o centro e o círculo.
A espiral é a essência do mistério da vida. Assim como se centra, ela também para, se encontra, se retorce e, então, desce e sobe novamente em graciosas curvas. O tempo se retorce em torno de si mesmo, trazendo os ecos e vibrações enquanto que os caminhos vivos da espiral passam próximos um do outro. A vida corre por estradas sinuosas, os seres se encontram em determinados pontos de suas caminhadas, se entrelaçam, se afastam, partem, retornam às origens. O ponto de partida também é o ponto de chegada trazendo-nos a questão do retornar sempre, reencontrar-se e se renovar.
As espirais também circulam dentro de nós, a energia circula em espiral, é onde a matéria e o espírito mais perfeitamente se encontram, e o tempo, por ele mesmo, não existe. Os nativos lembram as diversidades da vida e dos caminhos, e não compreendem o mundo de forma linear, o seguir em frente em uma única direção como se a vida fosse uma linha reta traçada entre um ponto de início e um de término. O destino é sempre ir além. O grande desafio de todo ser, por natureza um guerreiro trilhando as estradas das espirais da vida, é essa busca, é o retorno, é a partida, é caminhar em círculos/ciclos assim como caminha a natureza, pois somos parte dela. É fazer girar a roda do tempo, não nos prendendo em nenhum ponto em específico porque, assim, podemos vislumbrar os mais diversos pontos que compõem a espiral.
Sobre as formas espiraladas e circulares, Alce Negro, dos Oglala Sioux coloca o seguinte: "Tudo que o poder do mundo faz é feito em círculo. O ceú é redondo, e tenho ouvido que a terra é redonda como uma bola, e assim também o são as estrelas. O vento, em sua força máxima, rodopia. Os pássaros fazem seus ninhos em círculos, pois a religião deles é a mesma que a nossa. O sol nasce e desaparece em círculo em sua sucessão, e sempre retornam outra vez ao ponto de partida. A vida do homem é um círculo, que vai da infância até a infância, e assim acontece com tudo que é movido pela força. Nossas tendas eram redondas como os ninhos das aves, e sempre eram dispostas em círculo, o aro da nação, o ninho de muitos ninhos, onde o Grande Espírito quis que nós chocássemos nossos filhos".
Para os antigos celtas essa é toda a essência do mistério da vida. O circular, o espiralado. O tempo, uma das triplas linhas tão importantes para o imaginário celta, se retorce em torno de si mesmo. Os astecas achavam que certas flores que tinham em seu centro espirais, eram a alegria do mundo, mostrando o ciclo do sol, quando nasce e se põe, as estações, solstícios, ciclos assim como a vida dos homens. Os orientais falam da kundalini, do fluxo de uma energia em espiral, dos redemoinhos energéticos que perambulam nossos corpos.
Como vórtex de energia, as espirais encontradas em vestígios antigos expressavam um entendimento do cosmos, da energia vibrante, da vida, ou o seu contrário. Tradicionalmente, os ancestrais compreenderam que espirais no sentido horário representavam o nascer, o sol, a vida, o mundo de cima, a transformação pelas experiências exteriores. Para o sentido anti-horário, representavam a lua, a morte, o outro mundo, o mundo de baixo, o mundo dos sonhos e alucinações, intuição, as experiências transformadoras vindas do nosso interior. Para os hindus, o que no nosso mundo terrestre era no sentido anti-horário, para a esquerda, no mundo de baixo, no outro mundo, correspondia ao sentido horário. Hoje sabe-se que esses simbolismos expressam as funções cerebrais, o lado esquerdo do cérebro regula o lado direito de nosso corpo, o lado direito regula o lado esquerdo do corpo. Nem bom, nem mal, apenas diversidades que compõe o universo, uma perfeita simbiose, uma perfeita composição de energias.
Se vermos vários locais sagrados dos antepassados, desde o paleolítico, em qualquer parte do mundo, notaremos sempre a compreensão circular e espiralada. A espiral é a energia vital, é a energia em movimento, é a própria jornada.
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Pentagrama
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Símbolo de Vênus, rege o feminino. (Observando o céu e anotando a posição da "Estrela Matutina" durante 8 anos, o traçado do chamado "período sinódico" de Vênus forma um Pentagrama [período sinódico é o tempo que um planeta leva para retornar a uma mesma posição em relação ao sol por um observador na Terra – observe o desenho do lado esquerdo]).
Também é símbolo do microcosmo, revelando a sua analogia e identidade com o universo ou macrocosmo. Suas cinco pontas representam: a superior, a cabeça, as laterais, os dois braços; as inferiores, as duas pernas. Esta é uma postura que procura refletir, em termos de estado de consciência, um equilíbrio ativo e a capacidade de compreensão que deve possuir cada homem para transformar a si mesmo num centro irradiante de vida "como uma estrela no firmamento". Esta figura geométrica pentagonal representa também um cânone estético arquetipal denominado "divina proporção". Como fonte de luz e inspiração celestial, a estrela de cinco pontas é considerada, esotericamente, emblema do princípio inspirador do bem, do verdadeiro e do belo, tanto no mundo como no homem.
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Flor
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Em muitas escolas esotéricas a flor simboliza a fugacidade das coisas, a beleza e a primavera. No Oriente, pela sua forma mais comum, a flor representa também os "centros energéticos espirituais", os chacras. O conceito da "flor de ouro", na mística chinesa, é um símbolo transcendental taoísta que alude à vitória espiritual. |
Labirinto
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O centro do labirinto representa a consciência superior, a realidade absoluta, a imortalidade, a divindade; os caminhos tortuosos que vedam quase completamente o seu acesso simbolizam as provas e dificuldades pelas quais deve passar todo aquele que pretende chegar até o "centro de si mesmo", ou seja, a consciência superior. O simbolismo do labirinto está ligado ao simbolismo da espiral. Nesse sentido, o centro, ou ponto inicial interno da espiral, representa o princípio único, imóvel. As curvas da espiral simbolizam o universo manifestado em constante movimento. |
Hexagrama
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Símbolo universal do espírito. Esotericamente, a aparição de uma estrela simboliza o aparecimento de uma possibilidade de realização espiritual. |
Números
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O número de ordem pelo qual o mundo existe. O número implica forma, som e vibração, e subjaz na raiz do universo manifestado. Junto com as proporções harmônicas, dirige as primeiras diferenciações da substância homogênea em elementos heterogêneos e põe limite à mão formativa da natureza. Os números representam “idéias-forças”, cada um com forma, sentido, individualidade e caráter próprios, e a numerologia (ciência dos números) contém a chave de todo o sistema esotérico. Esta chave é aplicável a todo o universo, tanto às hierarquias criadoras como ao homem e ao mundo.
O significado simbólico dos números está ligado à seqüência numérica:
Zero – a eternidade, o “não ser”; oposto e reflexo da unidade, representa tudo que existe em estado latente e potencial.
Um – o princípio ativo, o Sol ou a primeira manifestação da energia criadora. Representa também a unidade espiritual.
Dois – o pólo feminino (a Divina Mãe) em contraste com o número um (o Divino Pai).
Três – a síntese espiritual, representando a tríade divina no processo de sua manifestação.
Quatro – símbolo da terra, da situação humana, dos quatro elementos da natureza, das quatro estações do ano e dos quatro pontos cardeais.
Cinco – o número do homem, o quinto elemento agindo sobre os quatro elementos da matéria.
Seis – o equilíbrio, a união do espírito e da matéria; a união dos triângulos positivo e negativo, formando a estrela de seis pontas.
Sete – o número da ordem perfeita, resultado da união do ternário (espiritual) e do quaternário (material).
Oito – símbolo do Logos ou do poder criativo universal e do equilíbrio dinâmico entre as duas forças opostas (masculina e feminina).
Nove – o número simbólico da humanidade e o número-raiz do presente estado de evolução humana.
Dez – o retorno à unidade e, ao mesmo tempo, a união final e o recomeço. É a totalidade do universo.
Onze – símbolo da transição, de excesso e de perigo.
Doze – símbolo da ordem cósmica e da salvação.
Treze – morte e renascimento, mudança e retomada após o final. |
Om
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Sílaba sânscrita, hinduísta, de invocação, afirmação e bênção solene. É composta de três letras: a-u-m, que simbolizam os três vedas principais e os três níveis de consciência, de acordo com a concepção hindu. É também símbolo monossilábico da Trimurti (a tríade hinduísta, composta de Brahma, Shiva e Vishnu). O om é considerado o mais importante de todos os mantras (palavras ou sons que contêm
poder mágico ou espiritual), e seu valor está contido tanto na própria idéia que representa como no seu poder fonético ou vibracional. |
Ouroboros
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Importantíssimo símbolo esotérico, cuja origem se perde no tempo, e que é representado por uma serpente que morde a própria cauda, significando que "todo começo contém em si o fim, e todo fim contém em si o começo". No seu sentido mais geral, o ouroboros é símbolo do tempo e da continuidade da vida. Pela sua forma circular, representa também o movimento perpétuo e de trajetória circular ou curva que caracteriza toda manifestação no universo. É emblema ainda do caráter cíclico de toda manifestação. |
Pirâmide
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O estudioso Cirlot informa que existe uma aparente contradição no simbolismo da pirâmide. Em primeiro lugar, nas culturas megalíticas e no primitivo folclore europeu, a pirâmide simboliza a terra em seu aspecto maternal. As próprias modernas árvores de Natal, herdeiras de uma antiqüíssima tradição, expressam, com sua forma piramidal, a dupla idéia de morte e imortalidade (ambas associadas ao conceito da Grande Mãe, a Terra). Por outro lado, a pirâmide de pedra, arquitetada com uma regular exata forma geométrica, corresponde ao elemento fogo, masculino, em todas as culturas antigas do Oriente. A interpretação mais completa a respeito do simbolismo da pirâmide foi dada por um outro estudioso, Marc Saunier. Ele sugeriu que a pirâmide é uma síntese de diferentes formas, cada uma delas com uma significação própria. A base da pirâmide é quadrada e representa a Terra (os quatro elementos da natureza). O ápice é o "ponto final" e o "ponto inicial" de todas as coisas, o "centro místico", a divindade. Estabelecendo a ligação entre a base e o ápice, estão as faces triangulares da pirâmide, simbolizando o fogo como revelação divina e como princípio da criação. Conseqüentemente, a pirâmide é interpretada como um símbolo que expressa a totalidade do trabalho em seus três aspectos essenciais. |
Quadrado
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Símbolo da matéria e da passividade. Seus lados representam os elementos da natureza (água, fogo, terra e ar) ou os quatro pilares da sabedoria humana (ciência, religião, filosofia e arte).
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Roda
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Símbolo universal, complexo, e de origem tão antiga quanto o próprio homem. Seu sentido mais arquetipal está relacionado com os fenômenos das forças cósmicas em movimento. O símbolo taoísta chinês do Yin-Yang está relacionado com o significado da roda e a doutrina do Tao exprime que "o sábio perfeito é aquele que alcançou o ponto central da roda e permanece assim unido ao centro invariável".
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Roda da Vida
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Um dos mais freqüentes símbolos do budismo tibetano, onde é usado em pinturas e em diagramas desenhados ou gravados. Representa a série de nascimentos, mortes e renascimentos do homem, mostrando, no círculo exterior, as fases da vida humana, causas do renascimento (lei do carma). |
Rosa
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Possivelmente a mais importante das flores simbólicas para o homem ocidental. Exprime o desenvolvimento do espírito, e está identificada com todas as expressões que denotam tal significado. A rosa está associada à idéia de regeneração, fecundidade e pureza. |
Selo de Salomão
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Duplo triângulo equilátero entrelaçado, ou então a estrela de seis pontas. Este símbolo é freqüentemente representado com um triângulo de cor branca e outro de cor negra.
Trata-se de um diagrama de profunda significação oculta, simbolizando, entre outras coisas, a união do espírito com a matéria. |
Sol
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Ponto focal de nosso sistema planetário, o Sol é símbolo material-espiritual por excelência da divindade. Sua luz pode ser considerada como a manifestação visível do Deus criador, sustentador e conservador de todas as formas de vida. O Sol é também emblema do Ser Real Interno de cada homem, da vitalidade, da vontade e dos sentimentos nobres como a lealdade. |
Traço
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Um dos símbolos gráficos básicos. Vertical: o princípio ativo (masculino) ou dinâmico; horizontal: o princípio passivo (feminino) ou estático.
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Triângulo
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Esta figura geométrica tem importante valor simbólico em muitas religiões e escolas esotéricas, representando a Trindade divina: a harmonia, a perfeição e a sabedoria. Equilátero: as tríades divinas ou o perfeito equilíbrio entre os três aspectos da Divindade; isósceles positivo (ápice para cima): o ternário evolutivo ou anseio do espírito em se libertar da matéria; isósceles negativo (ápice para baixo): o ternário involutivo ou o princípio espiritual que penetra e vivifica a matéria.
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Yin-Yang
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Símbolo chinês da distribuição dual das forças universais, compreendendo o princípio ativo ou masculino (Yang) e o feminino ou passivo (Yin). Este símbolo tem a forma de um círculo dividido por uma linha sigmóide, e as duas partes assim formadas possuem, quando observadas, uma tendência dinâmica, o que não seria possível se o círculo fosse dividido por uma linha reta (diâmetro). Na representação gráfica desse símbolo, a metade clara representa o Yang, e a escura, o Yin. Contudo, a primeira apresenta em seu interior um ponto negro, e a segunda, um ponto branco, significando que ambas possuem, em si mesmas, o germe do princípio contrário. |
Veja a apresentação das mandalas fotográficas da natureza*.