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Menina de Olhos de Noite
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Topo da Pagina topo da páginaAbertura

Menina de Olhos de Noite, Poesias, Maria Beatriz Sandoval Camargo, fevereiro 2006.

 

Topo da Pagina topo da páginaSamba! Saudades!

Psiu!

Silêncio!
Silva samba,
Saúda, sorri,
Dança,
Soletra,
Solfeja,
Sacode,
Sapateia, passeia,
Assobia, enrubesce,
Estremece, cresce...
Extraordinário!
Máximo sucesso!
Sossega,
Suspira,
Saudades,
Silvana!!

 

Topo da Pagina topo da páginaPedra Preta

Pega, Pedro,
Pedra preta,
Pedregulho precioso,
Preciso,
Procurado,
Preparado, prateado,
Propalado, premiado,
Presenteado.

 

Topo da Pagina topo da páginaPisca e Pesca, Pescador!

Pisca e pesca,
Pescador da peixaria.
Ponha a pesca
Pro pessoal da pradaria.
Pedro peleja, procurando pedraria.
Perde pedra, perde pé,
Perde pesca,
Puxa, Pedro,
Ponha o pé no pedregulho.
Pouco a pouco,
Pisca e pesca
Pequenos peixes
Pro pobre povoado.

 

Topo da Pagina topo da páginaPiuíí

Piuíí, piuíí...
Pega pobre
Pega povo...

Piuíí, piuíí...
Passa pastos,
Passa pontes...

Piuíí, piuíí...
Pede pena,
Pega pão...

Piuíí, piuíí...
Pula, pula,
Pára ponto

Pof...pof...
Piuíí, piuíí, piuíí...

 

Topo da Pagina topo da páginaPentes!

Pentes, pentes para todo gosto:
Pentes para carecas! Pentes para bonecas!
Pentes grossos, pentes finos!
Pentes de osso, para o moço!
Pentes de madeira, para a madeixa!
Para não haver quêixa...

 

Topo da Pagina topo da páginaChupe! Chupe!

Sorvete de morango, groselha e limão!
Chupe, chupe, que é bão!
Custa apenas um tostão,
E ainda cê ganha uma oração!
Compre, compre, que é bão!

Sonhos, sonhos lá se vão,
Velhos encantos do então,
Com um sonoro pregão...
Continue o estardalhaço,
Cante, cante, meu palhaço!

 

Topo da Pagina topo da páginaChuva, Mariquinha!

Mariquinha, Mariquinha das chinelas!
Mariquinha, vamos fechar as janelas!
Fumaça na serra,
É água na terra...

Mariquinha, Mariquinha das chinelas!
Mariquinha, vamos fechar as janelas!
Sempre há sol na serra,
E esperança na terra...


Topo da Pagina topo da páginaSabor e Amor

Hoje é Domingo
Pé de cachimbo
Cachimbo é de ouro
Bate no touro...

Três amigos inseparáveis:
Zeca, bolinha lustrosa;
Lambe-Lambe, a lagartixa;
Finurinha, a minhoca.

Hoje é dia de alegria
Vou pegar meu armarinho
Gavetinhas e segredinhos:

Na 1ª, os brigadeiros, mulatinhos sensação;
Na 2ª, as cocadinhas, fiapos de algodão;
Na 3ª, as goiabinhas, enroladinhas na mão;
Na 4ª, os chocolates, verdadeira tentação;
Na 5ª, estão os sonhos desse mundo de então.

Os doces vamos comer,
Escondidos no cantinho.
Vamos fazer um ninho,
Um ninho com muito carinho.

Deste jeito, vamos viver,
Traçando nossos caminhos,
Com sabor,
Tecidos de amor.

 


Topo da Pagina topo da páginaEscovar

Escove os dentes,
As unhas,
Os cabelos,
A roupa,
O sapato...
Escove o cachorro,
O tapete,
O ladrilho,
A pia...
Escove os fiapos,
Os frangalhos,
Os farelos
Dos elos
Paralelos...

E siga sua sina,
E vê se atina
Que vida é ida,
Que é sempre bem-vinda,
Que é sempre linda...

Escove, escove, escove...

 

Topo da Pagina topo da páginaBalas de Café!

Balas de café!
Doces, doces até!

Embaladas com capricho,
Nunca devem ir ao lixo.
À boca, vou levar
E o sabor deliciar!

Uma só não basta não!
Todas do pote quero chupar,
Talvez, tenha indigestão,
Mas o gosto vou adorar...

Não as devo mastigar,
São boas pra grudar,
E, também, pra esticar,
Como chiclé, vou mascar!

Balas, balas de café!
Doces, doces até!

 

Topo da Pagina topo da páginaBrincando com a Pontuação

Maio, menino!
De cores,
Noivas, entre as luzes da porta,
E aurora chega.

Maio,
Menino de cores,
Noivas, entre as luzes da porta,
E aurora chega.

Maio,
Menino de cores,
Noivas, entre as luzes da porta,
E aurora, chega!


Topo da Pagina topo da páginaPlanto... e Colho...

Planto o passado e colho o futuro
Planto a barreira e colho a soltura
Planto a cilada e colho o otário

Planto o que ata e colho o sinal

Planto na praia e colho o fofinho
Planto o que é oco e colho o louco
Planto o sono e colho a alegria
Planto o que afina e colho a esperança
Planto a bonança e colho a harmonia
Planto a linha e colho a liberdade
Planto a felicidade e colho o colorido
E largo as mazelas, as tristezas, as despesas, os fiapos dos frangalhos
Planto e colho eternamente,
Ternamente, na mente, em ti e por ti...

 

Topo da Pagina topo da páginaEu Vou... Você Vem...

Eu vou no barco partido, repleto de mar azul,
Você vem na onda quebrada, espumante.
Eu vou na nuvem macia de flocos de algodão,
Você vem no doce orvalho da manhã cantante.

Nós seguimos juntos
Pelas águas, com lágrimas envolventes,
Pelo céu, caminho infinito,
Pelas florestas de flores gotejantes...

 

Topo da Pagina topo da páginaPomamor

Isabela, Isabela,
Olhe só o seu pomar,
Tudo parece nascer,
Neste eterno amanhecer:

Apetitosas goiabas,
Pretinhas jabuticabas,
Uvas favoritas,
Laranjas das mais catitas.

Cor de fruta se espalha,
Não deixando uma só falha,
Folha verde se agita,
Tecendo a sombra bonita.

As crianças lá da vila
Formam até uma fila,
Levam cestas cheias de fita,
Que, na brisa, até repica.

Do ninho o pássaro pipila,
Cantando sua canção,
Com muita emoção,
Todos param ao ouvi-la.

E as crianças em dueto,
Fazem até um poemeto,
Escrevendo um soneto,
Num enfeitado folheto.

E tudo vai acendendo,
Com a alegria crescendo,
Trazendo sopros sem dor,
Fazendo tramas de cor.

 

Topo da Pagina topo da páginaDocencontro

Quanta alegria no ar
É o circo a chegar
Toda a praça a ocupar
Sons mil a brincar.

O tablado se ilumina
Lá vem Lina, a bailarina
Em cambraia azul-piscina
Enfeitada de turmalina.

Como número segundo
Surgem o gato siamês
E o cachorro pequinês
Quase, quase que me afundo.

Depois o mágico japonês
Com seu auxiliar chinês
Põe na cartola um saquê
Sei lá, como vira buquê.

Malabarista parece joguete
A saltar do gabinete
Todo vestido de preto
De longe parece espeto.

Gorila chamado Lapa
Derrapa e dá um tapa
No domador português
Sendo muito descortês.

Agora é a vez do potro
Dizem que nasceu em Belém
Veio como joão-ninguém
Mas hoje parece outro.

Saindo de uma barraca
Entra a zebra pataca

Comendo saborosa fava
Não se aproximem, é brava.

Um camelo com corcova
Parece ter levado sova
Sacode o rabo horrendo
Que se assemelha a remendo.

Aparece o palhaço Pedro
Com uma bengala de cedro
E um chapéu poliedro
Quase da cadeira desprego.

Com o cabelo todo crespo
Canta pra cá e dança pra lá
Dando passo carnavalesco
No meio de quá-quá-quá.

Por último o trapezista
Com nome de Paraíba
Que pelo ar se agita
Sem desafio que o proíba.

Mas a noite estrelada
E a lua prateada
Cobrem circo e gargalhada
Despedindo a meninada.

Acabou-se o docencontro
Que toda a cidade idolatra
Deixando no conto e no canto
Pedaços deste encanto.

 

Topo da Pagina topo da páginaRecortes de Sonhos

Gabriela tagarela
Sempre suja e de chinela
Só pensa em fantasia
Só isso lhe dá alegria

Sexta-feira, só faxina:
Mamãe empilha as cadeiras,
Vovó brilha panela,
E Sá Sebastiana, chuá de cá, chuá de lá,
Limpa que limpa, no seu rebolado,
Esfrega, espana, derrama,
Corre, transpira e espirra...
Agora, o meu recado,
Pra esta gente tão afobada:

Se esta casa, se esta casa fosse minha,
Eu mandava, eu mandava tapetar,
Com docinhos e mais docinhos coloridos,
Para toda, para toda dor passar.

 

Topo da Pagina topo da páginaAlmofada Boneca

Era um gato malhado.
Seu pêlo, todo zelo.
Seus bigodes, fios de seda.
Seus olhos, faíscas aguçadas.
Seu rabo sedoso alisava
O sopro suave da brisa.
E seus longos miados, segredo:
De amor? De alegria? De dor?
Saudades de alguma amada?

A noite encantada seduzia.
Dos cantinhos alcochoados, fugia.
Pelo chão suave, deslizava,
Buscando topos, namorava.
Lua aluada, céu estrelado,
E sem dó do sono, cantava
Canções antigas apaixonadas.

Numa madrugada molhada,
Mexendo em lixo, ao relento,
Achou a bolsa da menina largada,
Com pedaços de sonho resguardado:
Queijo-nuvem, peixe-estrela

E uma boneca de pano,
Macia como algodão,
Toda ela feita à mão.

Cansado de tanta opereta,
Dando a última pirueta,
Uma lambida preguiçosa,
Com um alongamento espaçoso,
Na almofada boneca, adormeceu
E passeios, miados, esqueceu....

 

Topo da Pagina topo da páginaEntrelaçando

Ondas vagavam,
Chegam crianças.
Mar azul, mês de abril,
Todo céu cor de anil.

Doces espantalhos,
Repiques de enfeites,
Dançam marionetes,
Vôos de risos.

Mar azul, ondas doces,
Marionetes, crianças em bando,
Vagando, chegando,
Cantando, brindando.

Tudo entrelaçado,
Nada descombinado,
Unir o desunido,
Costurar o desatado.

 

Topo da Pagina topo da páginaQuem tem Boca, Vai a Roma

Quem tem boca, vai a Roma.
Quem tem ouvido, anda em vidro.
Quem tem nariz, fareja perdiz.
Quem tem pescoço, enrola osso.
Que tem braços, amarra aços.
Quem tem mão, pega ladrão.
Quem tem pernas grossas, corre em choças.
Quem tem pés, dança em tripés.
Quem tem olhos, lê na folha aragem,
Criada nesta paisagem,
Com toda imaginação,
Carregada de sensação.

 

Topo da Pagina topo da páginaArte-Graça

Repica o campanário
Aves
Ondas
Barcas de lágrimas

Praia, mar e ar
Sal
Matas
Madrigais

Paisagem alva
Luar enamorado
Com sonatas-seresta
A arte-graça de amar.

 

Topo da Pagina topo da páginaCômoda da Vida

Abro as gavetas da cômoda.
Guardados, misturas das lembranças da memória.
Tento arrumá-los em caixas variadas:
Fotos apagadas, no tempo do não sou;
Momentos esperados, pintados de flores-sonho;
Relações, envolvidas em fragrâncias-amor;
Mãos de carinho, deslizando nos tecidos do cabelo,
Nas faces rosadas, na pele morena;
Sons de vozes,
Perdidas em seus diferentes ritmos.
Na caixa maior, a do coração,
Ajeito os colares-de-contas do inesquecível,
Com pedras opacas de verde-espera.

 

Topo da Pagina topo da páginaNovo Dia

Abro os olhos.
Desprendo-me das viagens dos sonhos,
Das paragens tranqüilas, infinitas,
Povoadas de estradas névoas,
Ladrilhos de estrelas.
Alongo os braços, as pernas,
Mexo a cabeça de cá pra lá,
Voltando à realidade.
Aliso os lençóis, a manta xadrez,
Afago os tecidos de algodão, de lã,
Agradeço à natureza, ao abrigo.
Descubro-me,
Retiro-me do descanso.
Levanto-me, descerro as janelas,
Deixo a luz penetrar, fluir,
Despeço-me da noite ida.
Uno as mãos, em prece,
Saúdo o Sol, saúdo a vida,
Com seus vestidos verdes, os passos agitados,
Com seus cantos, embalando-me,
Nas fragrâncias do início de um novo dia.


Topo da Pagina topo da páginaEstradas Palmilhadas

Abro a cortina do tempo,
Calço sandálias do ontem,
Para pisar os caminhos
Dos ecos-lembrança guardados.

Estradas palmilhadas de brinquedos,
Com vento de primavera,
Tornando meus pés folguedos
De pula-pula, amarelinha,
De corre-corre, salta-salta,
De esconde-esconde, de pula corda,
Girando como pião,
Deslizando pelo chão,
Catando fiapos de nuvem,
Levando o hálito das flores,
Da infância cheia de cores.

Estradas palmilhadas de quimeras,
Com mormaço-verão de brasa,
Meus pés são feitos de remo, de rodas, de asas,
Calçando sapatos de brisa,
Buscando os pingos da lua,
Para varrer ciscos de ida,
E ladrilhar caminhos de vinda.

Estradas palmilhadas de folhas secas,
Ramos sem vestes, paisagem outonal,
Meus pés tecidos de lágrimas
Vagueiam em estradas de chuva
Miúda, melancólica, fina,
Envoltas em pranto-neblina.

Estradas palmilhadas de gelo,
Sol de inverno, tênue,
Longas sombras, brilho distante,
Meus pés são de retalhos,
Minhas velhas chinelas arrastam-se,
Consumidas na poeira do caminhante,
A polir lembranças, a ouvir músicas de cigarras,
A encolher-se sob a telha,
A proteger-se do frio e vislumbrar o arco-íris.

 

Topo da Pagina topo da páginaUm Olhar na Janela

Abro a janela e vejo
A rua do meu destino,
Calçada de pedras de sonho,
Enfeitada de árvores coloridas
Com palavras carinhosas.
Pessoas cantam pregões:
Vendem-se maçãs do amor,
Peras de prata, laranjas apetitosas,
Há coisas tão gostosas?
Mães embalam violões,
Espantando os vilões.
Pais semeiam e plantam
Arroz, feijão, verduras verdejantes
E pomares exuberantes.
Nada de malmequer,
Apenas bem-querer.
E, à noitinha, estrelas namoradeiras
Circulam em torno da Lua,
Clareando o meu recanto,
Trazendo histórias de encanto,
Em cada esquina,

Em cada canto.
Fecho a janela e sonho
Subir ao céu, voar ao léu.
Buscar um amor para mim,
Que seja perene, sem fim...

 

Topo da Pagina topo da páginaDuas, por favor!

Duas duplas: cantores, trovadores,
Duas dúvidas: ser, não ser,
Duas doses: de líqüido, de sal,
Duas dores: da alma, do amor,
Duas estradas: da vida, do sonho,
Duas medidas: da Terra, do céu,
Duas portas: entrada, saída,
Duas dúvidas: partir, ou ficar,
Duas faces: imagem, realidade,
Duas gotas: alegria, saudades,
Duas horas: olhares, desencantos,
Duas jarras: rústica, ofuscante,
Duas luzes: puras, faiscantes,
Duas músicas: doces, sentidas,
Duas nuvens: cinzas, claras,
Duas pás: de semear, de ocultar,
Duas roupas: de festejar, de recolher,
Suas senhas: de encontrar, de esquecer,
Duas telhas: de cobrir, de proteger,
Duas vezes: de falhar, de acertar,
Duas, por favor! Corpo e alma.

 

Topo da Pagina topo da páginaAqueles Olhos Negros

Olhos negros puxados,
Bastante amendoados,
Pronúncia-estrangeira,
Italiano aportuguesada.
Gestos gentis, maneira refinada,
Um cavalheiro perfeito,
Para uma dama enamorada.

Mineira era a donzela,
De sorrisos toda ela.
Sempre, espalhava alegria,
Pela cidade e vila.

Ele, homem esforçado,
Era, também, formado.
Médico era a profissão,
Gratificante sua missão.

Consulta não cobrava,
Remédios só doava
Para pessoas carentes
E muitos clientes doentes.

Desta feliz união,
Dois filhos nasceram então.
Seguindo os passos dos pais,
Trazendo sempre a paz.

E a vida foi caminhando,
Até que um dia partiu,
Para o céu penso que subiu...

Deixou o povo chorando,
Sempre, sempre o relembrando.
E a mineirinha entristeceu,
Nunca, nunca o esqueceu...

Numa noite enluarada,
Olhou o céu, apaixonada,
Duas estrelas cintilantes
Espalhavam um brilho brilhante.

E uma música entoou,
Por onde a brisa levou,
Nos dizeres escutou:
Caminha, caminha amada,
Ao seu lado estarei,
Tudo, tudo lhe darei.

 

Topo da Pagina topo da páginaTarde de Verão

Mormaço...
Beira-mar, final de ano.
Guarda-sóis pipocam as praias,
Imensos girassóis, rodopiando,
Colorindo o escuro das areias,
Escondendo mágoas, lembranças, dores...
Despedida de algo ido, sofrido, percorrido...
Esperanças no amanhecer.
Talvez, sonhos nascer,
Talvez, esquecer,
Ao viver na ilusão,
De mudanças não mais em vão,
Tornando, retornando
Aos projetos de então.

Quem sabe? Resgatar, desamarrar,
Caminhar em novas estradas,
Jamais desvirtuadas,

Encontrar brisas suaves,
Passos amorosos,
Mãos acariciantes,
Palavras melodiosas,
Acordes harmoniosos,
Ou, apenas, uma tarde de verão...

 

Topo da Pagina topo da páginaSanduíches... Especiais!

Último dia do ano...
Mais uma etapa vencida,
Mais um ciclo de vida,
Combatido, ultrapassado.
O que vem agora? Novos caminhos?
Ilusões? Esperanças?
Por isso, resolvi fazer sanduíches.
Sanduíches especiais,
Oferecidos, por qualquer preço,
Aos passantes, a quem os quiser.
Vejam, que delícia!
Pães manipulados, confeccionados
Com produtos naturais,
Procurados o ano todo,
Em cantos desconhecidos deste imenso Universo.
Abro a cesta, em que estão embalados,
Resguardados de toda impureza:
Patês de carinho com folhas de amor;

Queijos de sonhos, salpicados com orégano de estrelas;
Presunto de alegria, vermelho e cheiroso, de hibiscos,
Brotados no coração;
Pedacinhos desfiados, coloridos , de pensamentos positivos,
Descobertos em reflexos solares;

Creme de leite de paz, buscados nas noites de luar.
Os ingredientes dos pães, brancos, integrais,
Foram selecionados,
Evitando grãos de conflitos, mágoas , tristezas,
E, sobretudo, lágrimas salgadas, sentidas e amargas.
Quem quer? Quem compra os meus sanduíches?
Preço abaixo do custo...

Apenas um olhar, um abraço apertado,
Um beijo de amor, perdão, esperança.
Quem quer? Quem quer?
Estou pronta pra vender...
Basta ter o coração aberto para comprá-lo...

 

Topo da Pagina topo da páginaMenina de Olhos de Noite

Olho-me no espelho,
Sou reflexo de mil fragmentos.
Fui trovões, enxurradas, cascatas,
Fagulhas de vulcões.
Como pilares gigantescos,
Sustentei catedrais.
Entre trovadores, nobres e princesas,
Tornei-me cantigas de amor e de amigo.
Fui estradas ladrilhadas, lacrimosas,
De ciganas, donzelas e pastoras...
Em austeros tribunais,
Andei em cárceres sombrios,
Crepitando, gemendo nas lenhas.
Nas guerras,
Revesti-me do medo, da fome , da ira.
Como pássaro azul, matizei o horizonte brasa.
Flor de lótus, nasci em pântanos lodosos.
Em rochas de corais,

Iluminei as mãos de algas no bailado.

Vesti-me de onças, leões, elefantes, matilhas,
A percorrer campos imensos, matas fechadas.
Em meu vestido azul, de rendas, babados e longo laço,
Fiz um balanço de estrelas.

Menina de olhos de noite e tranças de veludo,
Pérola perdida nos percursos sem fim,
Acorda sem um amanhã.

Menina triste, vire a face,
Afine o instrumento da vida,
Reúna os fragmentos em celeiro sereno.
Ouça o som tangente de uma música,
Deixe sua ave voar
Por caminhos-sonho, recolhendo flores-esperança.

 

 

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