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O Lulismo como Neopopulismo
A crise econômica no início do novo século viabilizou a eleição de Lula, líder carismático e ex-sindicalista, do Partido dos Trabalhadores.
Em sua interpretação:
“Eu só estou presidente da República porque o país chegou a um fundo do poço tão grande que o povo pensou: ‘Vamos colocar um peão para ver se ele consegue resolver esse negócio.’Não foi por outra razão.” (fragmento extraído do Dicionário Lula, de Ali Kamel, p.428).
“...porque, até antes de mim, a Presidência da República era um cargo pensado apenas de forma elitista.(...)Nós, a parte pobre deste país, era pensada apenas como eleitor ou eleitora, a cada quatro anos.” (idem, p. 282).
“...Antes era tudo do jeito que o diabo gostava. Agora é tudo do jeito que Deus gosta.”(idem, p.241).
Estavam reunidas as condições para a emergência de um populismo de
nova geração: a identificação e o vínculo direto entre o líder carismático e as massas empobrecidas.
A análise do discurso revela a estratégia típica do populista: o personalismo (“eu”), a referência ao conceito vago de “povo” -numa época de declínio das classes sociais e de despolitização-, o vocabulário popular e polarizador ( “fundo do poço”, “peão”, “pobre”x”elitista”, rico) e o messianismo (“...para ver se ele consegue resolver esse negócio”; “...do jeito que Deus gosta.”).
A sociedade de massas brasileira já era uma “sociedade do espetáculo”. “Lulinha, paz e amor” não desperdiçou a oportunidade para cultivar, engrandecer sua imagem. O fermento eram as frustradas expectativas das massas.
O manejo da estratégia populista passa pela adulação do povo e pela auto-promoção do pai salvador:
“O povo brasileiro realmente é um povo fantástico, porque mesmo quando as pessoas estão desempregadas, mesmo quando as pessoas estão sem dinheiro, mesmo quando as pessoas não estão podendo comprar aquilo que querem, estão acreditando que o amanhã vai ser melhor e nós representamos essa esperança em que o povo brasileiro tanto acredita e tanto deposita a sua fé.” (idem, p.555).
“Quando eu digo que Deus é generoso comigo, é porque algumas coisas aconteceram que não estavam previstas, que parece que têm o dedo não meu, mas o dedo de alguém.” (idem, p.241).
Quem foi investido para implementar uma solução mágica?
“Deus não elege um pernambucano de Caetés todo ano para presidente da República. Não elege um metalúrgico todo ano para presidente da República.”(idem, p.239).
“...E eu dizia e repito: eu quero provar que um metalúrgico é capaz de fazer por este país muito mais do que a elite fez durante os 500 anos em que ela governou este país.” (idem, p.283).
Como?
“...O objetivo do Bolsa Família é exatamente esse. É encher a barriga das pessoas até que surja a oportunidade de emprego, porque se não tivesse o Bolsa Família, muitos morreriam antes de poder ter acesso a um posto de trabalho, a uma oportunidade de trabalhar.”(idem, p.145).
“...o Brasil tem uma maioria pobre, o Brasil tem uma maioria sertaneja...O que nós estamos fazendo? Nós não estamos fazendo nada mais nada menos do que repartir para o povo pobre o dinheiro que nós arrecadamos dos ricos.”(idem, p.543).
Foi este estilo populista do programa social de transferência de renda para as camadas mais pobres que catapultou seu índice de aprovação popular para 80%.
Belo Horizonte, novembro de 2009.
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